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Filmes
Furyo, em Nome da Honra

David Bowie, além das suas habilidades como músico também se aventurou algumas vezes no cinema e hoje iremos comentar sobre “Furyo – Em nome da Honra”, produzido e rodado no Japão em 1983 e dirigido Narisa Oshima.

O filme começa na ilha japonesa de Java, no ano de 1942, onde são mantidos vários prisioneiros sob a custódia do comandante Yonoi e do tenente Hara. Dentre os prisioneiros está o britânico Lawrence (Tom Conti), que ficou responsável na organização dos demais prisioneiros e sua principal característica era sua compaixão, pois Lawrence sempre que podia defendia os seus companheiros e por dominar a lingua inglesa e japonesa, acabava gerando desconfiança dos comandantes.

Nesse meio tempo o major Jack Celliers (David Bowie) foi rendido e levado ao Tribunal e condenado por ter assassinado dois soldados japoneses, porém Yonoi assistiu o julgamento e ficou impressionado com a sua sinceridade, com isso deu um jeito de poupá-lo da execução e o levou como prisioneiro, pois acreditava que faria ótimos serviços em seu campo de concentração.

Jack Celliers, com seu jeito irreverente e por desrespeitar as ordens impostas, acaba provocando a fúria de Yonoi, que castiga os prisioneiros com requintes de crueldade, alegando que tem um espião entre os capturados.

O que ameniza o clima tenso é a amizade entre o tenente Hara e o coronel Lawrence, cuja cena onde mostra Hara totalmente alcoolizado liberando Lawrence e Celliers de um castigo desejando um Feliz Natal, ao fundo a música “Merry Christmas, Mr. Lawrence” se tornou cult no cinema dos anos 80.

FICHA

"Furyo, em Nome da Honra"
Título original:
"Merry Christmas Mr. Lawrence "
Reino Unido/ Japão, 1983, 123 minutos.

David Bowie - Major Jack 'Strafer' Celliers
Tom Conti - Coronel John Lawrence
Ryuichi Sakamoto - Capitão Yonoi
Takeshi Kitano - Sgt. Gengo Hara
Jack Thompson - Group Capt. Hicksley
Johnny Okura - Kanemoto
Alistair Browning - De Jong
James Malcolm - Irmão de Celliers
Chris Broun - Celliers aos 12 anos
Yuya Uchida - Comandante do Presídio
Ryunosuke Kaneda - Presidente do Tribunal de Justiça
Takashi Naitô - Tenente Iwata
Tamio Ishikura - Procurador
Rokko Toura - Interprete
Kan Mikami - Tenente Ito

Direção: Nagisa Ôshima
Roteiro: Laurens Van der Post, Nagisa Ōshima, Paul Mayersberg
Produção: Jeremy Thomas
Música: Ryuichi Sakamoto
Fotografia: Toichiro Narushima
Edição: Tomoyo Oshima
Direção de Arte: Andrew Sanders

Estúdios:Recorded Picture Company (RPC)
National Film Trustees
Distribuidora no Brasil: LW Editora

Genêro: Drama

Também nos é mostrado um sentimento de culpa em Jack Celliers, sempre atormentado por suas lembranças da infância, onde abandonou seu irmão mais novo em um momento de perigo na escola. Culpa essa que o fez tomar uma atitude radical, pois quando o comandante inglês Hicksley estava prestes a ser executado por descumprir uma ordem, Celliers simplesmente caminha em direção ao malvado Yonoi e dá-lhe um beijo no rosto, ofendendo publicamente o inimigo, porque todo mundo desconfiava que era atraído por Jack.

Seu ato de bravura salvou seu compatriota e derrubou Yonoi, porém foi determinada sua execução pelo novo general, mais impiedoso que o anterior, cena essa que foi a mais forte e impressionante do filme.

Baseado na Segunda Guerra Mundial, é um dos melhores filmes sobre o assunto, mostrando o choque entre as culturas ocidentais e orientais, além de nos fazer refletir sobre quem é dono da verdade, o lado perdedor ou o lado vencedor??



Com uma das melhores atuações de David Bowie pelo mundo do cinema e a trilha de Ryuichi Sakamoto, responsável por levar a música eletrônica para o Japão, totalmente influenciado pelo Kraftwek, é um filme indispensavel para os amantes dos anos 80.

 

Carlos Simões