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Pra Frente Brasil

 

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"Pra Frente Brasil"
Título original:
"Pra Frente Brasil"
BRA - 1982, 105 minutos.

Elenco:
Reginaldo Faria - Jofre
Antônio Fagundes - Miguel
Natália do Valle - Marta
Elizabeth Savalla - Mariana
Carlos Zara - Dr. Barreto
Cláudio Marzo - Sarmento

Diretor:
Roberto Farias
Escritores: Reginaldo Faria, Roberto farias e Paulo Mendonça
Produtores:Riva Farias, Roberto Farias e Rogério Farias
Música: Egberto Gismonti
Edição: Donn Cambern e Sheldon Kahn
Diretor de Arte: Lui farias, Mauro Farias
Design: Tetê Amarante

Distribuidora: Embrafilme
Gênero: Drama

Muitos ao se depararem com o título "Pra frente, Brasil" realizam o equívoco de assemelhar o tema tanto a ufanista canção da década de 1970, que serviu como vitrine ao sistema militar em tal período, como para a crítica ao modelo político opressor no qual é abordada no roteiro redigido por Roberto Farias, Reginaldo Farias e Paulo Mendonça.

Esse drama com mesclas de ficção histórica foi dirigido pelo cineasta Roberto Farias e possui elementos objetivos contra o regime militar, onde questionamentos a tal modelo são frequentes no enredo e conta com as atuações de Reginaldo Faria, Antônio Fagundes, Natália do Valle e Elizabeth Savalla. Esse trabalho cinematográfico foi o primeiro a retratar a administração pública exercida por militares de forma aberta.

Em 1970, os militares enxergaram nos jogadores da seleção brasileira de futebol a oportunidade de reforçar o nacionalismo e a "boa reputação" do modelo político que regia o sistema na época, entretanto muitos militantes de esquerda eram torturados e assassinados em porões. No filme é possível enxergar essa manobra além da sustentação do argumento que houve um milagre econômico na década.


O roteiro consiste na história de Jofre Godoi da Fonseca, um pacato trabalhador de classe média, casado com Marta, com quem tem dois filhos. Miguel, seu irmão, goza dos mesmos privilégios que ele, apesar de amar Mariana, uma guerrilheira de esquerda. Quando Jofre divide um táxi com um militante de esquerda, é tido como "subversivo" pelos órgãos de repressão. É preso e submetido a inúmeras sessões de tortura.

Miguel e Marta tentam encontrá-lo através dos meios legais, mas se deparam com a relutância da polícia em investigar o desaparecimento. Com o telefone grampeado, Miguel recebe Mariana em casa, ferida após um fracassado assalto a banco. É quando ele fica sabendo da atuação de um grupo de repressão política patrocinado por empresários.


Enquanto isso, Jofre consegue fugir de seu cativeiro, mas é alcançado pela Veraneio de seus algozes, que assistiam à cena escondidos. Barreto, o chefe dos torturadores sai do veículo e vai pessoalmente verificar o estrago que seus homens haviam feito em Jofre. Cumprido o dever, retornam ao cativeiro onde, por conta das torturas sofridas, o inocente acaba morrendo ao som dos gols do jogo Brasil versus Itália e da marchinha do tricampeonato, "Pra frente, Brasil".

No elenco do drama, nomes de peso das artes cênicas brasileira:

Reginaldo Faria .... Jofre
Antônio Fagundes .... Miguel
Natália do Valle .... Marta
Elizabeth Savalla .... Mariana
Carlos Zara .... Dr. Barreto
Cláudio Marzo .... Sarmento
Neuza Amaral
Ivan Cândido
Flávio Migliaccio
Milton Moraes
Luiz Armando Queiroz
Irma Álvarez
Lui Farias
Maurício Farias

Antes da veiculação do filme no ano de 1983, houveram muitas objeções por parte dos censores do regime para liberar a exibição do mesmo. O Cineasta Roberto Farias era o presidente da Embrafilme no auge da ditadura, empresa estatal que regulamentava padrões e demais serviços burocráticos do setor, hoje a mesma é inexistente e quem executa tal serviço é a ANCINE (Agência Nacional do Cinema), que também é uma empresa pública.

Os censores afirmavam que haviam "excessos de liberdade" tanto no cinema quanto no teatro. Mesmo o país passando por um processo de redemocratização alguns temas eram delicados de serem tratados e não visto com bons olhos. Um fato curioso foi o abandono de cargo do então presidente da Embrafilme, Celso Amorim em 1982 pois ele aprovou o financiamento público da produção cinematográfica. A proibição inicial ao filme baseou-se na alínea D do artigo 41 da Lei 20.943, de 1946, que previa "interdição quando a obra for capaz de provocar incitamento contra o regime vigente, a ordem pública, as autoridades e seus agentes".

Celso Amorim seria conhecido anos posteriores como um respeitado diplomata brasileiro, com ótima reputação internacional e que foi ministro das relações exteriores nos governos Itamar Franco (1993-1995) e Lula (2003-2010). Atualmente ele é o ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff.

A obra audiovisual de Roberto Farias é bem conceituada em meio aos intelectuais, exarcerbou o que muitos por questões óbvias tinham receio, posicionar-se contra o modelo ditatorial.

Premiações:

Esse projeto ganhou diversos prêmios em festivais de todo o mundo. Os dois primeiros foram os de melhor filme e edição no Festival de Gramado de 1982, seguidos pelos prêmios de Ofício Católico do Cinema e da Associação dos Cinemas de Arte da Europa no Festival de Berlim do ano seguinte.

O filme também recebeu a Margarida de Prata da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, além de ter sido indicado ao Urso de Ouro em Berlim.

 


Aldiéres Silva

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