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Sonhos Rebeldes

 

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Sonhos Rebeldes
Título original:
Valley Girl - 1983, 99 minutos

Elenco:
Nicolas Cage – Randy
Deborah Foreman – Julie Richman
Elizabeth Daily – Loryn
Michael Bowen – Tommy
Heidi Holicker – Stacey

Diretor: Martha Coolidge

Roteiristas: Andrew Lane e Wayne Crawford
Gênero: Comédia Romântica

“Valley Girl”, um filme de 1983, que depois de passar pelo maravilhoso crivo das traduções brasileiras de títulos, também ficou conhecido como “Sonhos Rebeldes” é obra da premiada cineasta Martha Coolidge. É um filme muito icônico, pois marca o primeiro papel de peso na Carreira de Nicolas Cage. O roteiro nos conta a história de Julie Richman, interpretada por Deborah Foreman, uma típica “patricinha” norte americana que aguarda ansiosamente um importante evento social após ter terminado recentemente com seu namorado. Nisso conhece Randy, um jovem rebelde de alma sensível, vivido por um muito jovem Nicolas Cage, que equilibra em sua personalidade algo meio hippie e punk. Como já seria de se esperar, as pessoas inseridas no meio de convívio de Julie torcem o nariz para o recém-chegado “Randy Esquisitão” no seio da tradicional família norte-americana de classe média, colocando a protagonista num dilema entre cumprir as expectativas que o seu grupo social lhe impõe ou seguir seu coração e viver seu grande amor.

Apesar da ideia central do filme orbitar um mote comum e já bem consolidado, ao melhor estilo “A Dama e o Vagabundo”, Martha Coolidge desenvolve a trama de maneira criativa, com um roteiro bem amarrado, o que permite extrair o melhor das atuações, sobretudo a de Nicolas Cage. O filme desenvolve bem o arco dos protagonistas, extraindo muito satisfatoriamente a empatia do público. Apesar de a premissa ser comum, a diretora evita certos maneirismos e clichés imaturos, apresentando uma história interessante e muito bem contada, ainda que leve e divertido, o filme não perde nada de sua dramaticidade.

Esse foi o primeiro longa metragem hollywoodiano da cineasta Martha Coolidge, que antes disso havia dirigido alguns premiados documentários em Nova York. Quando chegou em Los Angeles, trabalhou na “Zeotrope Studios”, produtora do monstro sagrado da Sétima Arte, Francis Ford Coppola. Empresa essa que já contou com outros nomes consagrados do cinema, entre eles, George Lucas. Martha seguiu produzindo filmes na década de 1980 e 1990, dentre eles o aclamado “Material Girl”. Seu filme mais recente é “Tribute”, de 2009. Desde então ela se dedica à sua carreira na TV, onde participou dirigindo séries, dentre elas encontram-se alguns episódios da icônica “CSI”.

Nicolas Cage, sobrinho do acima citado cineasta e produtor Francis Ford Coppola, após o seu trabalho em “Valley Girl”, desfrutou de uma ascensão ímpar de sua carreira nessa década e na década seguinte, conquistando um prêmio da Academia como melhor ator em “Despedida de Las Vegas” (1996) e tornando-se um dos atores mais bem pagos da década de 1990 em Hollywood e já trabalhou com grandes cineastas como os irmãos Coen, no filme “Arizona Nunca Mais”. Entretanto, devido à má administração de Cage sobre o seu patrimônio, o astro viu-se afundado em dívidas, o que lhe forçou, após os anos 2000, a aceitar papéis ruins em produções medíocres. Por enquanto seu talento ainda não voltou a brilhar como antes, tornando o ator, dentro do meio cinéfilo atual, um sinônimo de filmes ruins.

Deborah Foreman, que dá vida ao par romântico do personagem de Nicolas Cage no filme, já havia participado de duas produções no ano anterior, dentre elas “I’m Dancing as Fast I Can”, de Jack Hofsiss, entretanto foi somente após seu trabalho em “Sonhos Rebeldes” que a carreira da atriz se consolidou. Durante a década de 1980, Foreman imprimiu boas atuações em filmes como “A Passagem” (1988, de  Anthony Hickox), um terror tenso e muito envolvente, embora pouco lembrado; além de protagonizar a divertida comédia “My Chauffeur”, de  David Beaird, em 1986. Na década de 1990 a carreira da atriz estagnou-se, limitando-se a participações em produções cada vez menos relevantes no cinema e pequenas pontas em seriados de TV, como quando participou de um episódio, em 1991, da consagrada série “Mcgyver”. O último trabalho de Deborah que se tem registro foi uma aparição, em 2011, num vídeo clipe de uma banda chamada “She Wants Revenge”.

“Valley Girl” certamente é um filme indispensável para os fãs da sétima arte, pois além de nos permitir testemunhar a gênese da carreira de atores como o Nicolas Cage e constatarmos que ele já teve talento um dia, o longa ainda nos demonstra como é possível, através do cuidado com o roteiro e com a linguagem cinematográfica, construir coisas novas e interessantes, através de velhas premissas.


Rapha Mussato


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