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Os Deuses Devem Estar Loucos

 

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"Os Deuses Devem Estar Loucos"
Título original:
The Gods Must Be Crazy
África do Sul - 1980, 1h 49m.

Elenco:
N!xau -
Xi
Marius Weyers - Andrew Steyn
Sandra Prinsloo -
Kate Thompson
Louw Verwey - Sam Boga

Diretor: Jamie Uys
Escrito por: Jamie Uys

Gênero: Cinema Independente/Aventura

Lançado em 1980 e dirigido pelo sul-africano Jamie Uys, esse é um daqueles clássicos que deveria estar na lista de filmes para assistir antes de morrer.

O filme começa quando uma garrafa de Coca-Cola é lançada de um avião e cai no deserto do Kalahari. Xi, um dos personagens principais, e sua tribo acreditam que o artefato foi enviado pelos Deuses. Mas depois de alguns problemas decidem que o item deve ser devolvido ao lugar de onde veio e Xi é o escolhido para a tarefa de levar a garrafa até o fim do mundo.

Não é um filme de arte e também não é considerado Cult, não ganhou nenhum grande prêmio da academia e nenhum grande astro do cinema participou. É apenas um filme despretensioso que tem o intuito de divertir. E é justamente por isso que conquistou público.

Uys dizia que nunca intencionou colocar mensagem em suas comédias, eram apenas comédias. O diretor e roteirista deixou essa parte a cargo da interpretação de cada um. Mas a verdade é que de fato há muita mensagem neste filme, mesmo que Uys dissesse que não tinha essa intenção. A principal, que fica bem clara, é a comparação feita entre a vida primitiva e a vida moderna. A narrativa, feita de maneira as vezes cômica, nos faz despertar e enxergar o quanto pensamos que facilitamos nossas vidas, quando na verdade a complicamos. Nos faz refletir também sobre esta vida de robô que muitas vezes levamos, com tantas tarefas e burocracias, rituais diários que as vezes nos fazem viver apenas para o trabalho e a rotina.

O que mais gosto nesta história é a forma que Uys escolheu para mostrar o outro lado da moeda da modernidade. Embora todos os avanços que alcançamos tragam praticidade (real ou ilusória), eles também trazem muitos problemas. Sentimentos como egoísmo, violência etc tornam-se comuns entre as pessoas. Na história a garrafa de Coca-Cola representa esses avanços. Aos poucos ela garrafa vai tomando conta do cotidiano dos integrantes dessa tribo tão simpática e pacifica, trazendo muitos transtornos e desavenças. E é aí que Xi e sua tribo decidem devolvê-la para os Deuses. Durante a saga dessa entrega, Xi enfrenta aventuras e cruza seu caminho com pessoas do mundo “civilizado”. O problema da tribo é resolvido quando Xi descarta a garrafa no fim do mundo (na costa) e tudo volta ao normal, a tribo volta a ter uma vida pacifica e feliz.

Uma história com aparência simples, mas significado bem profundo, Os Deuses Devem Estar Loucos é uma reflexão sobre as escolhas que fizemos. Não tão simples como o problema de Xi, traçamos um caminho sem volta. Com muitas desvantagens, sim, mas com inúmeras vantagens e feitos incríveis!


Natascha Coelho


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