Tanques
de guerra, rifles, gritos, fardas, casas destruídas, sangue,
espancamentos e estupros. Assim começa o filme Um Grito De Liberdade,
película de 1987 que retrata a vida de Steve Biko e sua amizade
com o Jornalista Donald Woods, porém simboliza também
os danos que o ódio racial trouxe para a humanidade.
A primeira cena descrita acima se passa numa favela africana,
os soldados brancos vêem os negros como animais e os classificam
a partir de suas tribos usando termos como Bantu fêmea ou Bantu
Macho, o primeiro termo designa uma tribo africana.
Donald J. Woods é um editor chefe de um jornal sul-africano e
é abordado pela médica Ramphele, que mostra a ele que
apesar de ser um libertário esta equivocado em ter suas posições
contra o movimento de "consciência negra" e deveria
conhecer o líder negro Steve Biko, a Doutora Ramphele teve sua
chance na medicina através das pouquíssimas bolsas de
estudo cedidas para jovens negros, no filme ela ilustra a capacidade
do negro de vencer na área acadêmica.
O Jornalista segue para o encontro do ativista e o encontra
num regime de reclusão no qual pode conversar com apenas uma
pessoa e é vigiado por policiais à paisana, ambos driblam
a vigilância e o profissional da notícia é apresentado
a um lado muito mais sombrio do país, oposto a sua vida de classe
média alta numa casa com piscina e empregada doméstica.
Os dois seguem para o gueto no qual a fome e crimes contracenam com
a alegria dos bares e músicas típicas do povo.

Esse convívio torna o libertário menos
imparcial e apático em suas matérias e faz com que o seu
jornal empregue dois negros, um evento que causa comoção
entre os empregados do periódico, esse fato ilustra que na vida
de um jornalista nem tudo que é tido como ético em sua
profissão é o certo. Biko é um idealista bem humorado
e mostra ao novo amigo a falta de moralidade do regime, que destrói
com os anos a cultura do povo nativo daquelas terras e sua função
de instrumento de dominação de uma minoria branca.
O revolucionário acaba sendo preso quando tenta
enganar seus vigias para conversar com estudantes da cidade de Soweto
na esperança de faze-los desistirem de uma manifestação
contra o Apartaide, infelizmente os estudantes seriam chacinados, o
que é apresentado no filme numa cena realista e chocante e o
líder do movimento seria preso e espancado até a morte.

Com a morte de Biko, Woods vai até o necrotério e tira
fotos para provar as reais causas do falecimento, o qual os policiais
alegaram ter sido uma greve de fome, com sua ação e a
tentativa de levar seu material para os Estados Unidos, o jornalista
foi banido, sendo assim poderia se comunicar com apenas uma pessoa por
vez, ficaria isolado em um cômodo de sua residência e seria
vigiado 24 horas por dia por homens da lei os quais realizam atentados
contra sua família, uma cena marcante é a qual o homem
branco defende sua empregada negra, que sofre um preconceito enorme
dentro de seu quarto.
Para concluir o filme a família Woods executa
uma fuga árdua para encontrar o seu patriarca que por sua vez
também foge dos opressores numa escapada cinematográfica,
todos seguem para a Inglaterra.
O livro é lançado durante a década
de 1970 e o mundo descobre o peso verdadeiro do regime dominador da
África do Sul, o cantor britânico Peter Gabriel grava em
1980 a canção "Biko" retratando o choque de
sua morte, com o filme o mundo pode observar a realidade do regime que
chegou ao fim nos anos 90.